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Acordes e Manobras. Uma história de Nair Monteiro e Léo Soares
O sol de Curitiba já estava se pondo quando Nair Monteiro empurrou a porta do galpão onde a banda de Léo ensaiava. Ela chegava direto da academia — ainda vestindo seu moletom largo, calça de moletom e tênis de skate surrado. Os cabelos negros e compridos estavam presos num coque bagunçado, e ela carregava o skate debaixo do braço como quem carrega uma extensão do próprio corpo. — Ei, Cearense! — Léo gritou do palco improvisado, sem parar de dedilhar as cordas da guitarra. — Pensei que tivesse ido...
12 часов назад
A Injeção
Tudo começou com uma dor de garganta besta. Eu, Chico, 16 anos, rei do campo, mestre do skate e… bom, vamos deixar claro, o terror das provas escolares. Minha mãe, Olívia, engenheira e especialista em encontrar defeitos em tudo, inclusive em mim, diagnosticou na hora: “Isso está feio. Vou chamar a enfermeira para uma injeção.” Injeção. A palavra soou como um apito de falta dentro da minha cabeça. Meu coração de atacante, que não treme na frente do goleiro, deu um salto mortal e foi parar na garganta...
15 часов назад
Boatos na Escola
Tudo começou numa terça-feira sombria, véspera da prova de matemática do professor Vilmar. Eu estava mais perdido que cego em tiroteio. A última vez que eu tinha entendido algo, o assunto era "frações" e eu estava no sexto ano. "Preciso de um milagre, Davi," eu disse, encostado no armário, depois da aula. "Ou de um terremoto. Um incêndio. Qualquer coisa que cancele essa prova." Davi ficou pensativo, olhando para o quadro de avisos. "Um terremoto é difícil de produzir com pouco aviso prévio… mas um boato…" Meus olhos brilharam...
17 часов назад
O Alto-falante
Somos um trio perfeito. O Davi com as ideias, eu com a cara de pau, e a Nair com… bem, com a força física e a habilidade de rir de tudo. Ela virou cúmplice oficial das nossas aventuras. É hilário. Ela tem um sorriso maroto que combina perfeitamente com as nossas tramoias. Pois bem, hoje foi um daqueles dias. O Davi faltou – disse que estava com uma virose, mas eu suspeito que ele só queria dormir até mais tarde. Fiquei eu e a Nair, sozinhos, encarando a manhã de segunda-feira. A primeira aula era inglês com a professora Carla, que tem a paciência mais curta que um palito de dente. A Nair sentou do meu lado e sussurrou: “Tédio nível máximo...
1 день назад
A Transformação de Nair Monteiro. Uma Comédia Cearense em Curitiba
Nair Monteiro tinha 17 anos, 1,8m de altura, braços que pareciam ter sido esculpidos por Michelangelo em um dia de inspiração, e uma voz que ecoava pelo corredor da escola como trovão numa tarde de verão em Fortaleza. Ela chegou a Curitiba quatro meses atrás, trazendo consigo não só as malas, mas também o skate, os quatro pares de tênis de rodinha, e a convicção de que moletom era vestido de gala. — Nair, filha, você vai congelar nesse moletom rasgado! — protestava Ana, sua mãe, toda manhã. — Mãe, aqui em Curitiba o vento é de lei, mas eu sou de Ceará. Meu sangue é quente que nem cajuína! E assim...
2 дня назад
O Sabor do Café Derramado. Uma História de Nair e Gui...
O sol de Curitiba não tinha nada a ver com o de Fortaleza. Nair Monteiro sentia isso na pele toda vez que saía de casa às seis da manhã, skate embaixo do braço, indo pra praça treinar antes das aulas. O frio cortava diferente — não era o calor úmido do Ceará que abraçava, era algo que pinicava, desafiava. Mas Nair não desafiava. Ela abraçava desafios. "Ô, Nair! Ollie de novo?" gritou o Davi, o amigo de escola que virou irmão de coração desde que ela chegou no Paraná. "Fica vendo, Fernandes!" Ela deu impulso...
2 дня назад
"Melhoras, Chico"
Aí chegou aquele fim de semana. O Davi viajou para São Paulo visitar os tios. Ficou combinado de eu e a Nair treinarmos. O céu estava limpo, aquele sol gostoso de final de tarde. Estávamos sozinhos no park. “Vou te ensinar a fazer um ollie perfeito, de verdade”, ela disse, com um sorriso maroto. “O seu ainda tá meio travado no ar.” “Travado? O meu ollie é suave!”, eu protestei, mas sabia que ela tinha razão. Ela demonstrou. Era bonito de ver. Seu corpo se movia com uma fluidez que parecia desafiar a gravidade...
3 дня назад
A ERUPÇÃO
Tudo começou na última terça-feira. Ciências, professora Marlene, tema: vulcões. — Trabalho em grupo, três pessoas! – ela anunciou. — Maquete de um vulcão em erupção. Criatividade e precisão científica serão avaliadas. Olhei para a Nair e para o Davi. Eles já estavam olhando para mim. Era nosso destino. — Chico, você fica responsável pela parte "espetacular" da erupção, okay? — disse a Nair, no nosso canto da sala de grupo. — A gente cuida da estrutura, da pintura, do texto. Você só precisa fazer o bicarbonato com vinagre explodir de um jeito legal...
3 дня назад
Trabalho de Biologia
Eu nunca fui bom com livros, números, fórmulas... meu negócio sempre foi a bola. Me chamo Francisco, mas todo mundo me chama de Chico. Tenho 16 anos, sou paranaense de coração e, sem falsa modéstia, o pior aluno da escola. Minhas notas são um desastre. Mas coloca uma bola no meu pé e me bota num campo, aí a história é outra. Sou o melhor jogador de futebol que esse colégio já viu. Meu pai, o Marcos, que é vendedor e vive viajando, até brinca: "Filho, você é um gênio... mas só dentro das quatro linhas". Minha mãe, Olívia, que é engenheira, suspira toda vez que vê meu boletim. Ela sonha comigo numa faculdade, eu sonho com o gol da final do campeonato estadual...
3 дня назад
Professora Olívia
Agora, vamos ao desequilíbrio total do dia: a prova de Física. Minha mãe, Olívia Brandão, é engenheira. Ela não é rígida; ela é feita de concreto armado com um diploma de honra ao mérito. Meu pai, Marcos, é vendedor. O coração dele é mole, ele tenta me defender, mas quando vê meus boletins, parece que a palavra que ele ia falar fica presa na garganta e vira um suspiro. — Chico, temos que falar sobre suas notas — anunciou minha mãe no jantar, com a seriedade de quem vai lançar um foguete. — Mas, amor, o time ganhou hoje, ele fez dois gols — tentou meu pai, espetando um pedaço de batata. — Marcos, gols não passam de projéteis lançados em trajetória parabólica...
3 дня назад
Imitando os Professores
A gente tem um hobby: imitar os professores. A nossa obra-prima é o professor de História, o Seu Waldir. O homem tem um bigode que parece duas minhocas em guerra e fala com uma pausa dramática depois de cada vírgula. O Davi pega o estojo, segura como se fosse um livro, e começa: “E então… Napoleão… (pausa para olhar o infinito)… percebeu que a Rússia… (outra pausa, esfregando o bigode imaginário)… era fria… demais para seus soldados… de calção.” Eu caio no chão de rir, quieto, claro, com a cara enterrada no braço...
3 дня назад
O Fantasma, ou Cancela a Prova, Fessora
A Nair virou nossa cúmplice oficial. Com a força dela, a gente conseguia fazer brincadeiras mais pesadas. Tipo trocar todos os mapas murais da sala de geografia por mapas do Super Mario World. Ou colar na cadeira do professor de química um adesivo que dizia "Cuidado: Elemento Radioativo". Mas a obra-prima, a que quase nos fez ser expulsos (e ao mesmo tempo foi a coisa mais genial que já vi), foi o Grande Plano Para Cancelar a Prova de Português. A professora, Dona Célia, era famosa por suas provas maratonas sobre análise sintática...
4 дня назад