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Nair Monteiro. A Fortona

Mais Uma Historinha...

A noite em Curitiba estava fresca, mas o ar entre Nair e Léo vibrava com a energia residual de duas horas de ensaio intenso. Nair, com seu rabo de cavalo impecável e os ombros largos destacados pelo moletom cinza, caminhava com o skate debaixo do braço. Ao seu lado, Léo carregava o violão nas costas, os dedos longos e finos ainda tamborilando um ritmo imaginário na alça da capa. Eles estavam juntos há cinco meses, um contraste vivo que todos na escola da Nair comentavam: a força bruta da academia e das pistas de skate unida à delicadeza melódica de um músico de alma sensível. — Aquela ponte que você criou no refrão... — Nair disse, sua voz firme quebrando o silêncio da rua deserta. — Deu um soco no peito. Ficou foda, Léo. Léo sorriu, aquele sorriso que sempre desarmava a armadura de Nair. — Obrigado, Nair. Eu estava pensando em você quando escrevi. Na sua determinação. Eles dobraram uma esquina onde a iluminação falhava. O eco de passos pesados surgiu à frente. Três sujeitos, com olhar

A noite em Curitiba estava fresca, mas o ar entre Nair e Léo vibrava com a energia residual de duas horas de ensaio intenso. Nair, com seu rabo de cavalo impecável e os ombros largos destacados pelo moletom cinza, caminhava com o skate debaixo do braço. Ao seu lado, Léo carregava o violão nas costas, os dedos longos e finos ainda tamborilando um ritmo imaginário na alça da capa.

Eles estavam juntos há cinco meses, um contraste vivo que todos na escola da Nair comentavam: a força bruta da academia e das pistas de skate unida à delicadeza melódica de um músico de alma sensível.

— Aquela ponte que você criou no refrão... — Nair disse, sua voz firme quebrando o silêncio da rua deserta. — Deu um soco no peito. Ficou foda, Léo.

Léo sorriu, aquele sorriso que sempre desarmava a armadura de Nair.

— Obrigado, Nair. Eu estava pensando em você quando escrevi. Na sua determinação.

Eles dobraram uma esquina onde a iluminação falhava. O eco de passos pesados surgiu à frente. Três sujeitos, com olhares turvos e posturas agressivas, bloquearam o caminho. Eram maiores que Léo, mas não mais altos que Nair.

— Olha só... um violão novinho — disse o do meio, com um riso escarninho. — Passa pra cá, garoto. E a menina também pode deixar o celular.

Léo sentiu o sangue esfriar. Ele deu um passo atrás, as mãos que criavam melodias agora tremendo levemente. Ele não era de briga; sua sensibilidade era sua força no palco, mas ali, no asfalto escuro, parecia uma vulnerabilidade.

-2

— Léo, fica atrás de mim — a voz de Nair não era um pedido. Era um comando.

— Nair, não... eles são três — Léo sussurrou, o coração disparado.

Um dos homens avançou, tentando segurar o braço de Léo. Ele não chegou a tocar no tecido da jaqueta do músico.

Nair agiu com a precisão de quem domina a gravidade em um kickflip. Ela soltou o skate, que bateu no chão com um estalo seco, e se posicionou. Quando o primeiro agressor esticou a mão, ela agarrou o pulso dele com a força de quem levanta 100kg no supino e girou. O grito de dor do homem ecoou pela rua vazia.

— Eu mandei não encostar nele — ela rosnou.

Os outros dois avançaram juntos. Nair não recuou. Ela era puro músculo e reflexo. Com um movimento fluido, ela usou o peso do próprio corpo para empurrar o segundo assaltante contra a parede, um impacto surdo que o deixou sem fôlego. O terceiro tentou um soco desajeitado, mas Nair se esquivou como se estivesse desviando de um obstáculo na pista, devolvendo com um empurrão firme no peito que o mandou direto para o chão.

— Próximo? — ela perguntou, a respiração apenas levemente alterada, os olhos pretos faiscando sob a luz do poste.

Os três, percebendo que tinham encontrado uma força da natureza em forma de adolescente, não esperaram pela segunda rodada. Levantaram-se tropeçando uns nos outros e desapareceram na escuridão da próxima avenida.

O silêncio voltou, mas agora era preenchido pelo som da respiração de Léo, que olhava para a namorada em choque e absoluta admiração. Nair relaxou os ombros, pegou o skate do chão e limpou a poeira da calça jeans.

— Você está bem? — ela perguntou, a voz subitamente suavizando ao se virar para ele.

Léo piscou, ainda processando a cena de ação que acabara de presenciar.

— Eu... eu estou bem. Você foi incrível, Nair. Eu nem vi o que aconteceu direito, foi muito rápido.

Nair se aproximou, diminuindo a distância entre eles. Ela estendeu a mão e tocou o rosto de Léo, os dedos que segundos antes estavam fechados em punhos agora acariciando a bochecha dele com uma leveza inesperada.

— Ninguém toca no meu músico — ela disse, com um meio sorriso valente.

Léo envolveu a cintura dela com um braço, puxando-a para perto, ignorando o peso do violão nas costas. Ele encostou a testa na dela, sentindo o calor que emanava do corpo dela após a adrenalina.

— Você é o meu escudo, Nair Monteiro — ele sussurrou, antes de selar o momento com um beijo calmo e profundo, que cheirava a noite e a alívio.

Nair fechou os olhos, entregando-se ao momento. Ela podia ser a força e a ação nas ruas, mas nos braços de Léo, ela encontrava a melodia que fazia todo o resto valer a pena. Eles continuaram a caminhada, o skate de um lado, o violão do outro, e as mãos dadas no centro de tudo.