A noite em Curitiba estava fresca, mas o ar entre Nair e Léo vibrava com a energia residual de duas horas de ensaio intenso. Nair, com seu rabo de cavalo impecável e os ombros largos destacados pelo moletom cinza, caminhava com o skate debaixo do braço. Ao seu lado, Léo carregava o violão nas costas, os dedos longos e finos ainda tamborilando um ritmo imaginário na alça da capa. Eles estavam juntos há cinco meses, um contraste vivo que todos na escola da Nair comentavam: a força bruta da academia e das pistas de skate unida à delicadeza melódica de um músico de alma sensível. — Aquela ponte que você criou no refrão... — Nair disse, sua voz firme quebrando o silêncio da rua deserta. — Deu um soco no peito. Ficou foda, Léo. Léo sorriu, aquele sorriso que sempre desarmava a armadura de Nair. — Obrigado, Nair. Eu estava pensando em você quando escrevi. Na sua determinação. Eles dobraram uma esquina onde a iluminação falhava. O eco de passos pesados surgiu à frente. Três sujeitos, com olhar