Tudo começou com uma dor de garganta besta. Eu, Chico, 16 anos, rei do campo, mestre do skate e… bom, vamos deixar claro, o terror das provas escolares. Minha mãe, Olívia, engenheira e especialista em encontrar defeitos em tudo, inclusive em mim, diagnosticou na hora: “Isso está feio. Vou chamar a enfermeira para uma injeção.” Injeção. A palavra soou como um apito de falta dentro da minha cabeça. Meu coração de atacante, que não treme na frente do goleiro, deu um salto mortal e foi parar na garganta. Eu tenho pavor de agulha. Não é um medinho, é um pânico nível “fuga em câmera lenta de filme de ação”. A enfermeira chegou. Era nova, uns 20 anos, com uma bolsinha que, para mim, parecia conter o equipamento de tortura mais moderno do mundo. Ela deu um sorriso simpático. Eu dei um sorriso congelado de pavor. “Vai ser rapidinho, Francisco”, disse minha mãe, no tom de quem está dando uma ordem para fechar um contrato. Rapidinho? Aquele segundo ia durar uma eternidade. Meu cérebro deu o sinal