Somos um trio perfeito. O Davi com as ideias, eu com a cara de pau, e a Nair com… bem, com a força física e a habilidade de rir de tudo. Ela virou cúmplice oficial das nossas aventuras. É hilário. Ela tem um sorriso maroto que combina perfeitamente com as nossas tramoias. Pois bem, hoje foi um daqueles dias. O Davi faltou – disse que estava com uma virose, mas eu suspeito que ele só queria dormir até mais tarde. Fiquei eu e a Nair, sozinhos, encarando a manhã de segunda-feira. A primeira aula era inglês com a professora Carla, que tem a paciência mais curta que um palito de dente. A Nair sentou do meu lado e sussurrou: “Tédio nível máximo. Algum plano, Chico?” Eu olhei para a professora, que escrevia verbos no quadro, e depois para a mochila da Nair. “Você trouxe aquele… negócio?” Ela abriu um sorriso largo e, devagar, puxou de dentro da mochila um pequeno alto-falante Bluetooth. A gente tinha usado ele uma vez para tocar a vinheta do “Chaves” no meio da aula de história. Funcionou per