Agora, vamos ao desequilíbrio total do dia: a prova de Física. Minha mãe, Olívia Brandão, é engenheira. Ela não é rígida; ela é feita de concreto armado com um diploma de honra ao mérito. Meu pai, Marcos, é vendedor. O coração dele é mole, ele tenta me defender, mas quando vê meus boletins, parece que a palavra que ele ia falar fica presa na garganta e vira um suspiro. — Chico, temos que falar sobre suas notas — anunciou minha mãe no jantar, com a seriedade de quem vai lançar um foguete. — Mas, amor, o time ganhou hoje, ele fez dois gols — tentou meu pai, espetando um pedaço de batata. — Marcos, gols não passam de projéteis lançados em trajetória parabólica. É Física pura. Se ele entende isso em campo, pode entender na prova. E foi assim que, no sábado de manhã, troquei o treino pelo suplício. A cena: a sala de jantar, transformada em sala de aula. Eu, a vítima. Ela, a professora. O livro, o algoz. — Muito bem, Chico. Vamos começar pelo básico: as leis de Newton. — Primeira lei: um cor