Aí chegou aquele fim de semana. O Davi viajou para São Paulo visitar os tios. Ficou combinado de eu e a Nair treinarmos. O céu estava limpo, aquele sol gostoso de final de tarde. Estávamos sozinhos no park. “Vou te ensinar a fazer um ollie perfeito, de verdade”, ela disse, com um sorriso maroto. “O seu ainda tá meio travado no ar.” “Travado? O meu ollie é suave!”, eu protestei, mas sabia que ela tinha razão. Ela demonstrou. Era bonito de ver. Seu corpo se movia com uma fluidez que parecia desafiar a gravidade. O skate grudava nos pés dela. Depois, foi minha vez. “Relaxa os ombros”, ela orientou, ficando ao meu lado. “Concentra no pop e no deslize do pé.” Tentei. Uma, duas, três vezes. O skate subia, mas de um jeito meio seco, sem a elegância do dela. Eu me concentrava tanto que até cerrava os dentes. “De novo”, ela insistia, paciente. “Você consegue.” Na quarta tentativa, algo clicou. Senti o movimento fluir. O skate subiu lindo, reto. Pela primeira vez, parecia certo. O sentimento f