A Nair virou nossa cúmplice oficial. Com a força dela, a gente conseguia fazer brincadeiras mais pesadas. Tipo trocar todos os mapas murais da sala de geografia por mapas do Super Mario World. Ou colar na cadeira do professor de química um adesivo que dizia "Cuidado: Elemento Radioativo". Mas a obra-prima, a que quase nos fez ser expulsos (e ao mesmo tempo foi a coisa mais genial que já vi), foi o Grande Plano Para Cancelar a Prova de Português. A professora, Dona Célia, era famosa por suas provas maratonas sobre análise sintática. Era um terror. A Nair teve a ideia. "E se a gente fizer ela achar que a sala está assombrada pelo fantasma de um escritor clássico?", ela propôs, com os olhos brilhando. O plano foi elaborado como um esquema tático. Na véspera da prova, depois da aula, entramos escondido na sala. O Davi, com seu talento artístico, desenhou um fantasma minúsculo e triste no canto do quadro, com a legenda: "Sou Machado de Assis. Parem com essa tortura sintática!". Eu, com minh