Foi assim que, num sábado de sol que clamava por uma pelada no campinho, me vi de frente para o meu maior rival do final de semana: o cortador de grama do quintal. A grama estava alta, uma selva verde que desafiava minha paciência. — Chico, hoje é dia de cortar a grama — anunciou minha mãe, com a voz da inevitabilidade. — Nada de futebol até terminar. Resmunguei, arrastei o cortador pesado para o quintal e encarei a tarefa com o mesmo entusiasmo que tenho para estudar trigonometria. Foi quando ouvi a voz de socorro. — E aí, craque! Precisa de um ajudante? Era o Davi, pulando o muro baixo como sempre fazia. Seus olhos brilhavam com a perspectiva de uma missão, mesmo que fosse a mais chata do mundo. — Pode vir — disse, sem muita esperança. — Mas é sério, hein. Preciso terminar isso logo se quiser jogar bola depois. O Davi esfregou as mãos, como um cirurgião se preparando para uma operação complexa. — Deixa comigo! Sou expert em jardinagem. "Expert" foi um termo generoso. Nos primeiros ci