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A Dupla Sertaneja e Os Três Desastres

O sol batia forte no telhado da minha casa, anunciando o início das férias. Só que essas férias tinham um plano diferente. O irmão mais velho do Davi, o Guilherme (ou Gui, pra gente), 21 anos e universitário, se juntou com o Lucas Rocha, irmão mais velho da Luciana, também com 21 e na faculdade. A grande ideia deles? Formar uma dupla sertaneja. O Lucas sabia desenrolar um violão que era uma beleza, e os dois tinham a voz e a vontade. Sonhavam com os holofotes. Aí é que entra o nosso “brilhante” trio de apoio: eu, Davi e Lu. Eles nos chamaram pra ser a “equipe de produção”, o que, na nossa cabeça, significava ajudar a fazer sucesso. A missão era séria: ajudar nos ensaios, dar ideias, apoiar. O primeiro ensaio foi na garagem do Gui. Lucas começou a tocar uma moda de viola lenta, cheia de sentimento. Gui fechou os olhos, se preparando para a entrada. Foi quando eu tive a ideia. “Mano, tá muito parado! Precisa de um efeito visual!”, falei, empolgado. Peguei meu skate, posicionei um pequen

O sol batia forte no telhado da minha casa, anunciando o início das férias. Só que essas férias tinham um plano diferente. O irmão mais velho do Davi, o Guilherme (ou Gui, pra gente), 21 anos e universitário, se juntou com o Lucas Rocha, irmão mais velho da Luciana, também com 21 e na faculdade. A grande ideia deles? Formar uma dupla sertaneja. O Lucas sabia desenrolar um violão que era uma beleza, e os dois tinham a voz e a vontade. Sonhavam com os holofotes.

Aí é que entra o nosso “brilhante” trio de apoio: eu, Davi e Lu. Eles nos chamaram pra ser a “equipe de produção”, o que, na nossa cabeça, significava ajudar a fazer sucesso. A missão era séria: ajudar nos ensaios, dar ideias, apoiar.

O primeiro ensaio foi na garagem do Gui. Lucas começou a tocar uma moda de viola lenta, cheia de sentimento. Gui fechou os olhos, se preparando para a entrada. Foi quando eu tive a ideia.

“Mano, tá muito parado! Precisa de um efeito visual!”, falei, empolgado. Peguei meu skate, posicionei um pequeno ramp que tinha na garagem. “Quando o Gui for cantar o refrão, eu passo fazendo um ollie, vai ficar épico, tipo um clipe!”

Davi, sempre o entusiasta, achou genial. A Lu, um pouco mais pé no chão, tentou alertar:

“Chico, acho que não é uma boa…”.

Mas já era tarde. No momento exato em que Gui soltou a primeira nota poderosa do refrão, eu entrei com tudo no ramp. O problema foi o pouso. Em vez do silêncio dramático, o skate fez um *CRAAAAAC estridente ao pousar sobre uma lata de tinta vazia que ninguém tinha visto. Gui engasgou no susto. Lucas perdeu totalmente o ritmo no violão, e a corda mais fina arrebentou com um twang triste.

“CHICO!”, os dois gritaram em uníssono, enquanto a Lu enterrava o rosto nas mãos e o Davi ria sem conseguir se controlar.

Tentamos nos redimir. No dia seguinte, a ideia foi da Lu: “Vamos fazer a divulgação! Um vídeo pro YT”. Ela seria a diretora, Davi o cinegrafista e eu… bem, eu seria o dublê/figurante. A cena era simples: Gui e Lucas cantando na varanda ao pôr do sol, uma imagem linda. Só que eu, pra dar um “ar natural”, decidi passar de skate no plano de fundo, fazendo um grind na mureta baixa. O que a Lu não contava era com o Davi como cinegrafista. Ele, focando em mim tentando o grind (que falhou miseravelmente), deixou a dupla totalmente desfocada e cortada no vídeo. O resultado final foi um close-up trêmulo do meu tombo e do meu “AI, CARAMBA!”, com a música sertaneja ficando como uma trilha sonora distante e sem pé nem cabeça.

Depois de mais alguns desastres – como o dia em que tentamos fazer a iluminação com lanternas e quase botamos fogo no cenário de papelão –, Gui e Lucas nos chamaram para uma conversa.

Lucas suspirou, segurando o violão já com cordas novas. “Olha, gente… a gente ama vocês. De verdade.” Gui completou, com um meio sorriso cansado: “Mas a ajuda de vocês tá sendo tipo… uma ajuda *inversa*. Cada vez que vocês aparecem, a gente regride duas sessões de ensaio.”

Ficamos quietos, eu, Davi e Lu. Pela primeira vez, a gente entendeu que nossa “ajuda” estava mais para sabotagem não intencional.

“Então… é melhor a gente torcer de longe?”, perguntei, rascando a nuca.

“É exatamente isso”, riu Lucas. “Torçam muito. De preferência, BEM longe do estúdio.”

Saímos da garagem meio sem graça, mas logo a Lu deu um sorriso. “Pelo menos a gente tentou, né?” Davi concordou: “E foi engraçado.” Eu balancei a cabeça, dando uma chutada numa pedra. “É. Mas agora sobrou mais tempo livre. Quem vai na rampa de skate?”

E assim foi. As férias seguiram com Gui e Lucas ensaiando seriamente, e a gente aprendendo a ajudar de verdade, que era ficando quieto e levando um refrigerante pra eles de vez em quando. Eles até começaram a compor uma música. O título provisório? “A Dupla e os Três Desastres”. Acho que foi a nossa única contribuição que realmente deu certo.