Eu nunca fui muito fã de dever de casa. Sério, quem inventou essa tortura? Enquanto a galera fala de fórmulas de física e análise sintática, eu só consigo pensar em tabela do campeonato paranaense, no próximo treino, na jogada que errei no último jogo. Meu nome é Francisco, mas todo mundo me chama de Chico. Tenho 16 anos, sou paranaense de coração e, segundo os boletins, o pior aluno da escola. Mas no campo, é outra história. Lá, eu mando. Agora, imagine a cena: eu, sentado à mesa da cozinha, diante de um livro de matemática que parece escrito em grego antigo. Do meu lado, o meu porto seguro, o meu irmão de outra mãe, Davi Fernandes. Ele é o meu melhor amigo, do time e da vida. O cara é um bom aluno, tira notas boas sem parecer um nerd esquisitão, e o melhor: tem a paciência de um santo. Ou a insanidade de tentar me ensinar algo. — Chico, para de olhar pro relógio. Faltam só mais duas questões — disse Davi, rabiscando o caderno com uma calma que me irritava. — Duas questões que poderia