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Historinhas (Tentando Compor)

A Maquina de Lavar

Opa, beleza? Eu sou o Chico. Francisco Anísio Brandão, se quiser ser formal, mas ninguém é. Tenho 16 anos, sou daqui do Paraná mesmo, e vou te contar uma história que, olha, quase acabou comigo e com meu amigo Davi. Foi num sábado. Minha mãe tinha viajado a trabalho (alívio temporário) e meu pai tinha ido resolver umas coisas na loja. A casa era nossa. A fome também. - Chico, bora fazer aquele lanche monstro? - o Davi falou, com aquele sorriso maroto. - Bora. Mas hoje a gente cozinha de verdade, - eu disse, me sentindo um chef do MasterChef. A ideia era simples: fazer um sanduíche gigante, com hambúrguer, bacon, o escambau. Compramos tudo. O problema começou quando a panela de fritar o bacon virou um vulcão de gordura. A gordura respingou pra todo lado, e a gente, em pânico, tentou limpar na hora. Pegamos um monte de papel toalha, ensopamos tudo, e a gordura ficou grudenta, nojenta. - E agora, gênio? - o Davi perguntou, segurando um monte de papel encharcado e gorduroso. - A máquina de

Opa, beleza? Eu sou o Chico. Francisco Anísio Brandão, se quiser ser formal, mas ninguém é. Tenho 16 anos, sou daqui do Paraná mesmo, e vou te contar uma história que, olha, quase acabou comigo e com meu amigo Davi.

Foi num sábado. Minha mãe tinha viajado a trabalho (alívio temporário) e meu pai tinha ido resolver umas coisas na loja. A casa era nossa. A fome também.

- Chico, bora fazer aquele lanche monstro? - o Davi falou, com aquele sorriso maroto.

- Bora. Mas hoje a gente cozinha de verdade, - eu disse, me sentindo um chef do MasterChef.

A ideia era simples: fazer um sanduíche gigante, com hambúrguer, bacon, o escambau. Compramos tudo. O problema começou quando a panela de fritar o bacon virou um vulcão de gordura. A gordura respingou pra todo lado, e a gente, em pânico, tentou limpar na hora. Pegamos um monte de papel toalha, ensopamos tudo, e a gordura ficou grudenta, nojenta.

- E agora, gênio? - o Davi perguntou, segurando um monte de papel encharcado e gorduroso.

- A máquina de lavar louça! - eu gritei, iluminado por uma ideia que parecia brilhante na hora, - Ela lava tudo, né? Até panelas queimadas. Vai comer esse papel aí fácil.

Sem pensar duas vezes, abrimos a máquina, que era novinha em folha, um troféu da minha mãe engenheira, e enfiamos aquele monte de papel gorduroso e ensopado dentro. Colocamos o detergente extra forte, selecionamos o ciclo "lavagem pesada" e demos o start. Ficamos olhando pela portinha de vidro, orgulhosos, como dois cientistas observando um experimento.

Nos primeiros minutos, foi normal. Água jorrando. Daí, começou um barulho estranho. Um crunch, crunch, crunch metálico.

- É normal? - o Davi sussurrou.

- Claro, deve estar amassando o papel, - eu disse, menos convencido.

O barulho foi ficando pior. Parecia que a máquina estava mastigando pedras. De repente, um CLUNK! estrondoso fez a gente pular pra trás. A máquina começou a tremer, a fazer um ronco agonizante, e então… um silêncio mortal. A luzinha piscou e apagou.

A gente ficou paralisado. Abrimos a portinha devagarinho. Um cheiro de queimado e gordura rançosa invadiu a cozinha. Dentro, não era uma cena de limpeza. Era um crime. O papel toalha, longe de ter sido dissolvido, tinha se transformado numa pasta grossa e pegajosa, entupindo todos os buraquinhos dos braços giratórios. Pedaços de papel estavam em todo o canto, misturados com água suja e gordura. Parecia o intestino de um monstro.

- Chico… a sua mãe vai me matar. E depois vai te matar de novo, - o Davi falou, pálido.

- Pior. Ela vai desmontar a máquina, consertar, e me fazer pagar com a minha mesada pelos próximos 50 anos, - eu respondi, sentindo o desespero subir.

Passamos as próximas duas horas em pânico, tentando limpar aquele desastre com as mãos, com esponja, com tudo. Só piorou. Espalhamos a pasta gordurosa para lugares da máquina que nem sabíamos que existiam.

Quando meu pai chegou, a gente estava sentado no chão da cozinha, com cara de quem tinha visto um fantasma. Ele olhou pra gente, olhou pra máquina morta, e soltou um suspiro que vinha das profundezas da alma.

- Meus filhos… o que vocês fizeram?

Tentamos explicar a lógica por trás da nossa "invenção". Ele não disse nada. Só balançou a cabeça, puxou o celular e disse:
- Vou chamar um técnico. E vocês vão pagar com o dinheiro do campeonato.

A parte mais tensa foi quando minha mãe voltou. O técnico já tinha dado o veredito: a bomba de circulação tinha queimado por causa do entupimento. Conserto caríssimo. Ela não gritou. Ficou em silêncio absoluto, o que era muito, muito pior. Ela só olhou pra mim e falou, com uma calma aterradora:

- Francisco, seu próximo treino de futebol e seu skate estão suspensos. Indefinidamente. Você e o Davi vão ler o manual completo dessa máquina, de cabo a rabo, e me fazer um relatório de 20 páginas sobre o princípio de funcionamento hidráulico e elétrico dela. Entendido?

Foi aí que eu percebi que ser o pior aluno da turma as vezes tem suas vantagens… mas nenhuma delas te prepara para explicar o ciclo de enxágue de uma máquina de lavar louça para uma engenheira furiosa. O Davi, o bom aluno, até se saiu melhor no relatório. Já eu… bom, vamos dizer que finalmente encontrei um motivo para estudar. Pelo menos até minha mãe me liberar pro campo e pro skate de novo. A aventura na cozinha foi radical, mas a lição, essa doeu mais que tombo de skate sem joelheira.