O céu de Curitiba estava daquela cor "cinza-escritório" de sempre, e o frio de treze graus não dava trégua. Mas dentro da academia, o clima estava fervendo. Nair Monteiro, um furacão cearense de 1,80m de altura, estava finalizando sua última série de agachamento com um peso que faria muito marmanjo chorar. — Vixe, hoje eu tô inspirada! — exclamou ela, limpando o suor da testa com o antebraço. Nair era uma força da natureza. Tinha chegado de Fortaleza há sete meses, com seus pais — a veterinária Ana e o cardiologista Daniel. Nair ainda não entendia por que as pessoas chamavam salsicha de "vina", mas já tinha dominado todas as pistas de skate da cidade com seu estilo agressivo e seus moletons extragarges. O motivo de tanta animação? Léo. Seu namorado, Leonardo Soares, o "piá" mais doce de Curitiba. Léo era o oposto de Nair: magro, com uma franja loira que insistia em cair sobre os olhos azuis, e uma voz que parecia um abraço. Sua banda de indie-rock estava começando a estourar nas rádios