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Nair Monteiro. A Fortona

Manobras, Músculos e Molho de Tomate

O céu de Curitiba estava daquela cor "cinza-escritório" de sempre, e o frio de treze graus não dava trégua. Mas dentro da academia, o clima estava fervendo. Nair Monteiro, um furacão cearense de 1,80m de altura, estava finalizando sua última série de agachamento com um peso que faria muito marmanjo chorar. — Vixe, hoje eu tô inspirada! — exclamou ela, limpando o suor da testa com o antebraço. Nair era uma força da natureza. Tinha chegado de Fortaleza há sete meses, com seus pais — a veterinária Ana e o cardiologista Daniel. Nair ainda não entendia por que as pessoas chamavam salsicha de "vina", mas já tinha dominado todas as pistas de skate da cidade com seu estilo agressivo e seus moletons extragarges. O motivo de tanta animação? Léo. Seu namorado, Leonardo Soares, o "piá" mais doce de Curitiba. Léo era o oposto de Nair: magro, com uma franja loira que insistia em cair sobre os olhos azuis, e uma voz que parecia um abraço. Sua banda de indie-rock estava começando a estourar nas rádios

O céu de Curitiba estava daquela cor "cinza-escritório" de sempre, e o frio de treze graus não dava trégua. Mas dentro da academia, o clima estava fervendo. Nair Monteiro, um furacão cearense de 1,80m de altura, estava finalizando sua última série de agachamento com um peso que faria muito marmanjo chorar.

— Vixe, hoje eu tô inspirada! — exclamou ela, limpando o suor da testa com o antebraço.

Nair era uma força da natureza. Tinha chegado de Fortaleza há sete meses, com seus pais — a veterinária Ana e o cardiologista Daniel. Nair ainda não entendia por que as pessoas chamavam salsicha de "vina", mas já tinha dominado todas as pistas de skate da cidade com seu estilo agressivo e seus moletons extragarges.

O motivo de tanta animação? Léo. Seu namorado, Leonardo Soares, o "piá" mais doce de Curitiba. Léo era o oposto de Nair: magro, com uma franja loira que insistia em cair sobre os olhos azuis, e uma voz que parecia um abraço. Sua banda de indie-rock estava começando a estourar nas rádios, e Nair queria comemorar os cinco meses de namoro em grande estilo.

Com os pais viajando para um congresso, Nair teve a ideia brilhante e perigosa: fazer um jantar romântico surpresa.

— Se eu consigo dar um kickflip numa escadaria de dez degraus, fazer um macarrão deve ser fichinha — murmurou ela, entrando no supermercado ainda de skate debaixo do braço.

O Caos na Cozinha

Às 19h, a cozinha da casa dos Monteiro parecia uma zona de guerra. Nair, que tirava zero em Português porque achava as regras gramaticais "frescura demais", estava tendo sérios problemas para interpretar a receita no celular.

— "Refogue o alho até dourar"... Dourar é o quê? Cor de medalha de ouro ou cor de shape de skate velho? — questionava-se, jogando seis dentes de alho inteiros na panela.

Ela decidiu fazer uma lasanha. Mas Nair não usava colheres de chá; ela usava a força bruta. Ao tentar abrir o pote de molho de tomate, ela aplicou tanta pressão que a tampa voou, ricocheteou no teto e o molho explodiu, pintando a parede branca e o seu rabo de cavalo preto de vermelho-sangue.

— Éégua, macho! Parece que eu atropelei um tomate! — gritou, rindo da própria desgraça.

Enquanto isso, a massa da lasanha cozinhava... ou melhor, derretia. Nair esqueceu de marcar o tempo porque se empolgou fazendo flexões de um braço só enquanto esperava a água ferver. Quando percebeu, a massa tinha virado um bloco de cola cinzenta.

O Momento da Verdade

Às 20h, a campainha tocou. Léo chegou com seu violão nas costas e um buquê de flores que parecia pequeno demais perto da estatura de Nair. Quando ela abriu a porta, Léo deu um passo para trás.

Nair estava usando um avental por cima do moletom da Thrasher, tinha farinha até nas sobrancelhas e um rastro de queijo queimado na bochecha.

— Oi, Léo! Entra, piá! O jantar tá... tá quase pronto. Só teve um pequeno "incidente" com a gravidade e o molho.

Léo entrou e sentiu o cheiro. Não era cheiro de lasanha. Era cheiro de... pneu queimado?

— Nair, amor... você tentou cozinhar o skate? — Léo perguntou, com sua voz suave e um sorriso contido.

— Deixe de ser gaiato! Eu tentei fazer uma lasanha romântica, mas a bicha é mais difícil de domar que cavalo brabo. O forno deu um estalo e agora a comida tá com uma consistência de cimento de obra.

Léo caminhou até a cozinha. A cena era digna de um filme de comédia pastelão. Havia farinha no chão (onde Nair tinha escorregado e quase quebrado a mesa), o alho estava carbonizado e a lasanha parecia um disco de hóquei gigante.

O Final Feliz (e Faminto)

Nair cruzou os braços musculosos, frustrada.

— Eu sou uma negação, Léo. Sou boa de supino e de manobra, mas na cozinha eu sou um desastre total. Queria que fosse perfeito.

Léo deixou o violão de lado, aproximou-se e abraçou a cintura da namorada

— Nair, você é a garota mais incrível que eu já conheci. Quem mais tentaria lutar contra um forno por mim? Além disso, eu sou músico... minha dieta básica é miojo e vento. Isso aqui pra mim é luxo!

Nair riu, aquela risada alta e contagiante de cearense.

— Pois vamos fazer o seguinte: eu jogo essa "arma biológica" no lixo e a gente pede dois "dogões" com duas vinas e muita batata palha. O que acha?

— Perfeito — disse Léo, pegando o violão. — Enquanto o pedido não chega, eu toco a música nova que fiz pra você.

E assim, no meio de uma cozinha suja de molho, em uma noite fria de Curitiba, a skatista bruta e o músico sensível celebraram o amor. Ele cantava melodias doces, e ela, com o coração batendo forte, percebeu que a melhor receita de romance não precisava de forno — só de um "dogão" e da companhia certa.

No dia seguinte, Nair voltou para a academia. Afinal, era muito mais fácil levantar 100kg do que acertar o ponto de um refogado.