A gente tem um hobby: imitar os professores. A nossa obra-prima é o professor de História, o Seu Waldir. O homem tem um bigode que parece duas minhocas em guerra e fala com uma pausa dramática depois de cada vírgula. O Davi pega o estojo, segura como se fosse um livro, e começa: “E então… Napoleão… (pausa para olhar o infinito)… percebeu que a Rússia… (outra pausa, esfregando o bigode imaginário)… era fria… demais para seus soldados… de calção.” Eu caio no chão de rir, quieto, claro, com a cara enterrada no braço. Ou a Dona Célia, de Português, que tem um tique de ajustar os óculos a cada três palavras. Aí eu entro em ação: “Classiquissimamente" (ajusto os óculos invisíveis), a oração subordinada (ajusto de novo) adverbial concessiva (mais um ajuste) nos presenteia com uma ideia de oposição (óculos quase caindo do nariz).” O Davi faz que vai espirrar para disfarçar o riso. É assim. Entre uma aula que não entra na minha cabeça e outra, a gente cria nosso próprio entretenimento. No camp