Um dia, após o intervalo, a turma do segundo ano voltou para a sala e encontrou uma cena desoladora: a grande janela do corredor, próxima à sua sala, estava completamente estilhaçada. Vidros espalhados pelo chão refletiam a luz do sol de uma forma agressiva. A professora de História, Dona Marta, ficou lívida. Com as mãos na cintura, varreu a sala com um olhar severo. — Quem foi que quebrou essa janela? — sua voz ecoou, carregada de desaprovação. Um silêncio pesado tomou conta da sala. Ninguém se mexeu, ninguém falou. Os olhares se cruzavam, cheios de suspeita e curiosidade. O olhar de Dona Marta, lentamente, como um farol buscando um culpado no nevoeiro, pousou sobre Chico. Ele estava sentado perto do fundo, ainda com o rosto corado do treino rápido que fizera no intervalo. — Francisco Brandão — disse a professora, o tom era de conclusão, não de pergunta. — Foi você, não foi? Sempre aprontando alguma. Chico sentiu um nó se formar na garganta. Ele se levantou, os olhos arregalados de i